Girl In The Plastic Bubble

07 fevereiro 2007

Depois do grito, o alívio - momento diarinho, cap. 1

A sensação é indescritível. É fácil dizer: "chorei, não passei por 1 ponto pra segunda fase", ou "tô puta, mais 2 pontos passava na Cásper". Também é fácil falar"passei na PUC, mas nem fiz matrícula, tava viajando, não deixei procurador". É tipo: bosta, mas... quem liga?? Triste, mas, fazer o quê?

Só que eu nunca imaginei o que faria quando me deparasse com meu nome lá, naquela lista, no site da Fuvest, nos jornais, nos sites, nas listas do Objetivo, Deus!!! É muito pra mim, é outra coisa! Eu fiz cursinho cansada, levantando e dizendo "vou na 2ª aula" num dia; "hoje eu não vou, tá chovendo" no outro ou: "Hoje eu vou, tem aula do FT. Mas eu tô morta! Vou sair às 7 pra dormir mais 2 horas, assisto a 1ª aula na P4 e depois subo pra P7 e..." Ok, não era fácil, eu fiz o que pude. Mas, pera aí: jamais pensei que fosse passar assim, primeira chamada, na opção que eu precisava! Era tudo o que eu queria da vida desde que entrei na escola. Ouvia praticamente sempre que minha mãe via meu boletim: "Ah, essa menina vai passar na USP e blablabla, coisa de mãe coruja. Mas calma aí: é foda de entrar. Eu pensava: "Ahãm, mãe, vou sim".

Sei o que você, leitor ignorante vai dizer: "Ah, mas é Letras... vc passa!" Não é assim!!!! São 5000 pessoas disputanto 800 vagas, pára pra pensar. Não quero me gabar aqui, mas, a prova é a mesma pra todo mundo e, por mais que a nota de corte seja mais baixa, só vai passar quem atingir alguns pontos acima, a menos que pessoa vá muuuito bem na 2ª fase - nosso amigo Paulo está aí pra provar que esse tipo de milagre de fato ocorre. =P

Mas, voltando à questão da sensação. Eu sempre fui aquela que segurou choro, grito na garganta, raiva, alegria, tudo em nome da discrição - odeio gente escandalosa. Por causa disso já enfiei a cabeça no travesseiro várias vezes, tipo a Lilo no filme Lilo e Stitch, sabe?

Agora, hoje, não tinha como segurar nem que eu quisesse. Era tudo passando na cabeça ao mesmo tempo, professores na minha formatura dizendo o quanto eu era capaz, eu me xingando por ter feito uma redação tão porca na prova da Cásper, eu sabendo que tinha gente fazendo urucubaca pra eu não passar, tudo!!!

Eu procurei várias vezes meu nome na lista, conferi, "noturno!", olhei de novo, corri pra abraçar uma amiga e percebi que dei um berro no meio do escritório, fiquei sem jeito, pedi desculpas pra chefe justificando o berro, voltei cambaleando pra minha mesa, abaixei a cabeça e chorei. Levantei, vi o nome de novo e chorei. Tentei ligar pro Artur desesperadamente na mesa do lado, caixa postal. Outro número, ninguém atende. Voltei pra mesa, olhei meu nome de novo, repeti o meu milésimo "não tô acreditando ainda!" e chorei. Consegui falar com o Artur, recebi a bronca do chatão e finalmente consegui parar de chorar. E depois disso sucederam-se diversas ligações e as mais variadas atividades; exceto, é claro, o trabalho.

Fui pra casa começando a assimilar as coisas: a Cidade Universitária só pra mim. O Centro Esportivo, as bibliotecas, a carteirinha pra entrar sem dar justificativas, as ruas pra passear com minha bicicleta imaginária, o bandejão do Crusp, as greves pra morgar em casa, a semana da pátria, do saco-cheio, os recessos espalhados pelo ano...

Ápice da minha vida. Talvez seja esse meu estado de espírito agora, escrevendo no blog às 2 da manhã em plena terça-feira.